sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Entre a comunicação do presente e do futuro


São inúmeros propositivos que se apresentam como desafios para o mundo da comunicação no dia a dia. Somos cutucados frequentemente por temas complexos e variados que decompõem nossa imaginação em variadas formas de viver a vida. Saber o que é mais importante: o futuro ou o presente? É uma das questões que assolam o painel cerebral de todos os humanos, especialmente quem lida com comunicação. Afinal, é preciso agir agora, porém, sem deixar de se resguardar sobre o que vem pela frente. Então, voltamos à pergunta e ao plano original da questão.
Lidar com o presente e o futuro está dentro do plano de dualidade humana. É um conflito constante e duradouro que deverá permanecer em pauta até os finais dos tempos. Quem não gostaria de poder atuar simultaneamente nos dois eixos sem perder a certeza de garantir êxito nessa dupla proposta? Porém, sentimos que a balança sempre penderá para um dos lados, e que faltará alguma coisa diante de tal desequilíbrio.
É claro que o mais desafiador e, paradoxalmente excitante, é a busca pela chave do equilíbrio, não seria outra a cereja da vida. Mas sabemos que a busca pela certeza entre o presente e o futuro tem como severo mediador o tempo, no qual não sobra espaço para a condescendência entre o certo e o errado, entre o que é e o que poderia ser. Daí a necessidade e precisão da busca pela certeza imediata e pelo sucesso de nossas apostas. Não podemos viver num mundo de competição com os dados nas mãos de lance em lance; é preciso maior assertividade nas jogadas da vida para evitar os desgastes e erros, nossos eternos adversários.
Nesse embaraçoso episódio lotérico, as nossas certezas fazem frente aos desafios e por vezes somos submetidos a provas incontestes na relação do hoje com o amanhã. Um programa de comunicação que contempla o tempo futuro pode não encontrar fôlego para ser testado e aferido como eficaz; um programa concebido para enfrentar o tempo presente encontrará desafios diários à sua frente e, certamente, uma hora ou outra sucumbirá. É por isso, mais uma vez, que fica claro a necessidade do equilíbrio, ou como diria popularmente: um olho no peixe, outro no gato.  Esta é a forma mais correta de garantir a manutenção do tempo presente e dar respaldo para as investidas no tempo futuro.
Comunicação se faz com visão holística. Comunicação se faz com propósitos e assertividade. Só podemos ser eficazes se estivermos preparados para entender todos os elementos que trafegam na linha temporal do presente ao futuro. A cultura que permeia tal transitoriedade é uma das fontes importantes para melhor lidarmos com todas as questões. A fotografia comportamental de pares e grupos é a mais livre tradução do terreno que iremos monitorar. O conhecimento das ferramentas que falam mais alto ao nosso público é uma obrigação para lidar com o tráfego comunicacional. São essas apostas que podem definir os pesos na hora de manter o equilíbrio entre o planejamento do presente e do futuro.
Cada vez mais os profissionais de comunicação são lançados à parede para aumentar seu background acerca das vicissitudes que interpelam as pessoas diariamente. Não basta mais ser um expert em apenas uma área de afinidade comunicacional; é preciso pensar a comunicação de maneira global e atemporal. Para que essa realidade seja concreta, então, é necessário ampliar o conceito acadêmico da estrutura de comunicação, recheando tal ciência com outras cátedras: psicologia, filosofia, antropologia, sociologia, entre outras.  Somente com essa tomada poderemos alcançar o equilíbrio perfeito para empreender propostas eficazes para o tempo presente e futuro.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Quer melhorar a comunicação? Melhore a educação!



Nesta semana assisti a um depoimento do senador Cristovam Buarque (PDT-DF) pedindo o mesmo aumento de 62%, dado aos políticos, para os professores; mais do que justo. É comum vermos o anseio das pessoas por uma sociedade mais justa, menos violência, melhor qualidade de vida, mais entendimento entre as pessoas, enfim, situações que só podem ser alcançadas com atitudes que influenciem mudanças comportamentais. Tudo isso passa pelo fator Educação.
Sempre defendi que a gestão da comunicação pode levar sociedades a um plano elevado de entendimento com seus pares e consigo mesmo. É através da compreensão das próprias ações que podemos melhor entender o que se passa com os demais, portanto, para ampliar a lente de nosso saber é necessário fortalecer os canais de educação para aperfeiçoar a sociedade como um todo.
Empresas ajustadas às demandas e premissas do presente e do futuro só podem atingir tal patamar através de um grupo coeso e proficiente nas questões vitais para a manutenção das organizações. Profissionais bem preparados é a ponte de ligação entre a empresa e o mercado de consumo, não há outro caminho senão o da melhoria das condições humanas em todas as variáveis. A educação é o fator mais preponderante para se alcançar o mérito desejado por todos empresários. Portanto, dentro de um plano de sustentabilidade nacional, é preciso investir na manutenção da educação. Daí, a proposta do nobre senador não pode ser vista como heresia ou tampouco blasfêmia contra os meios econômicos federais, estaduais, municipais ou empresariais.
É preciso entender que enquanto não houver um compromisso factual e verdadeiro com os princípios da Educação, não teremos uma sociedade justa e moderna, seremos sempre contestadores dos modelos que temos antipatia, sem a menor vocação de construirmos a realidade que desejamos. Por isso, precisamos de uma nova atitude para uma realidade condizente com aquilo que realmente queremos. A responsabilidade não é apenas do governo federal, é para ser dividida entre todos, cada qual com sua parcela de contribuição, sempre pensando: o que já fizemos hoje?

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Futebol: quando o marketing fala mais alto


Foi o tempo em que Pelé e Ademir da Guia davam o tom das arquibancadas. Hoje, o marketing esportivo é a nova tônica do futebol brasileiro. Depois de perder durante anos os seus principais astros dos gramados para os estrangeiros, o Brasil sente o gostinho de repatriar suas estrelas e alegrar as arquibancadas. Por trás disso tudo está a profissionalização do marketing esportivo brasileiro, impulsionada pela ascensão da economia nacional e pelas dificuldades enfrentadas pelos demais países.
É certo que ainda não chegamos perto de grandes negociações como demonstrou o Barcelona na última semana. Depois de muito relutar por toda a sua existência pelo patrocínio remunerado em sua camisa, o time catalão deixou a tradição de lado e abriu uma exceção para a Qatar Foundation, pela módica quantia de R$ 68 milhões por ano, até 2016. É certo que ainda estamos distantes da realidade europeia, entretanto, já damos sinais de que chegaremos lá. O Palmeiras já é o 5º time no mundo que mais vende camisas da Adidas. Fato este que dará a oportunidade de renovação do contrato até 2014, com cerca de R$ 16 milhões por ano, colocando o clube palestrino em 2º lugar no ranking de valores pagos por fornecedores esportivos, perdendo apenas para o Flamengo, com R$ 20 milhões. Devemos ainda somar aos cofres do Palmeiras, os royalties mínimos de vendas de camisas, equivalentes a R$ 300 mil por mês.
Realmente o futebol brasileiro respira novos ares. Com o advento da Copa do Mundo de 2014, as possibilidades de investimentos em marketing crescem tanto quanto possa instigar a criatividades dos profissionais da área. Paulo Rosemberg, marqueteiro do Corinthians, abriu as portas para a contratação de jogadores tops com o pagamento de salários astronômicos por meio de patrocínios. O Palmeiras segue o mesmo caminho e já pavimenta a pista de pouso para a chegada de Ronaldinho Gaúcho. O São Paulo tido, outrora, como uma administração de ponta, também pega a carona dos rivais e promete apostar nesta nova rede de financiamento do futebol, e já está correndo atrás de parcerias para a contratação do seu próximo camisa dez.
Folheando a bíblia do marketing esportivo brasileiro, veremos que tudo começou com a parceria Palmeiras-Parmalat no começo da década de 90. Um modelo de gestão com apoio direto da empresa italiana trouxe muitos dividendos para o clube palestrino. Títulos regionais, nacionais e internacionais marcaram a cogestão ítalo-brasileira. Depois, tivemos a tentativa mal sucedida do Corinthians por duas vezes, primeiro com o falido Banco Excel Econômico; depois com a MSI, do iraniano Kia Joorabchian, que foi parar nas páginas policiais. Mas, a persistência é a mãe de todas as vitórias. Hoje, a chegada de Ronaldo deu novo fôlego para as ações de Paulo Rosemberg, e garantiu o status de marca mais valiosa do futebol brasileiro para o Corinthians.
Definitivamente estamos virando uma página do marketing esportivo, pois a chegada das Arenas multiuso, tomando o lugar dos desconfortáveis estádios brasileiros, será um atrativo para o show business, trazendo novas fontes de renda para os clubes brasileiros. Outra janela de fortalecimento dos patrocínios que será aberta nos próximos anos é o aumento da competição entre as emissoras de tevê, leia-se Globo x Record – a CBF e os Clube dos 13 assistem tudo de camarote.
É claro que ainda falta mais. O relacionamento com o torcedor, maior patrimônio do clube, ainda é deficitário. O Internacional (RS) é um dos que abriu os olhos e capitalizou uma carteira de 100 mil associados, chegando ao primeiro lugar do ranking. O rival Grêmio vem em segundo lugar com 53 mil. Analisando, os demais clubes estão distantes da realidade gaúcha, e muito mais da europeia, que tem na liderança o Benfica, de Portugal, com 171 mil associados, e no segundo posto o Barcelona, da Espanha, com 163 mil. Assim, sabemos que a estrada ainda é longa.
Muitas iniciativas devem ser adotadas pelos clubes brasileiros, porém postergadas, aguardam a ousadia de novos profissionais do marketing para agregar valores e propostas para o mundo do futebol. Uma das oportunidades é o estreitamento do relacionamento com os públicos do interior dos estados. Ainda é modesta a ação diante desse nicho. Outra porta ainda obscura para os desportos é a da fidelização de novos torcedores. Notamos que não há nenhuma estratégia contundente voltada para angariar novos torcedores, tudo acontece de forma natural, seja por incentivo ou imposição de pais, pela fama do clube na época de infância e adolescência, ou por afinidade com o futebol arte de algum atleta em específico – casos de Robinho, Neymar, Marcos, Rogério Ceni.
É preciso mais, muito mais. E se os clubes não perceberem que o marketing e a comunicação serão o futuro dos esportes, então não haverá futuro nenhum – pelo menos aquele que se espera.

sábado, 11 de dezembro de 2010

Para que serve a crítica?


Tem dias em que a gente acorda com espírito de Aristóteles. Fica pensando no que é certo, no que é errado, no que não é certo e nem errado, apenas é. A crítica é uma dessas palavras que mora do lado avesso de nosso consciente positivo. Ninguém pronuncia o termo pensando no prol da questão em questão. Mas por que a crítica é tão pejorativa no âmbito do cuidado com o ser humano?
Dizem que ao nascermos somos submetidos a um milhão de “não” até completarmos nossos primeiros anos de vida. Concessões são minorias, e a balança da vida é quase sempre desigual para quem deseja ouvir o “sim”. Mas venhamos e convenhamos, será mesmo preciso atuar como críticos tão efervescentes durante todo o trajeto de nossas vidas? No seio familiar, bombardeamos os filhos, os pares; na empresa, disparamos contra funcionários e parceiros; nas ruas, somos cruéis nos faróis e no trânsito cada vez mais caótico. E no fundo, temos a plena percepção de que não estamos fazendo o correto, afinal, é claro e cristalino perceber que as mudanças desejadas quase nunca são alcançadas com a crítica.
Por que então somos tão taxativos e teimosos no uso de uma programação neurolinguística que temos certeza de sua ineficácia? Seria apenas a crítica uma válvula de escape para nossas frustrações pessoais e profissionais? Seríamos nós atores de uma tragédia desejada no teatro da vida?
Tenho acompanhado muitos executivos de diversos níveis hierárquicos ao longo das últimas décadas. Sempre houve um problema comportamental em relação ao tratamento de seus pares. É certo que as coisas melhoraram com o passar do tempo, pois já não vejo mais supervisores e chefes de departamentos pegando funcionários à tapa como num passado não tão longínquo. Hoje, os tempos são outros; as empresas estão mais cientes de suas obrigações sociais, da preparação na formação de suas equipes, nos desafios a serem enfrentados diariamente. Diante disso, cumprem seu papel de educar e formar equipes de acordo com a realidade que estão vivendo, com os desafios que se apresentam, com os objetivos que desejam alcançar.
Mas não vamos ser tolos e dizer que a crítica não é uma senhora desaforada e presente nas organizações, pois ela mostra sua face todos os dias. Então, por que somos tão coniventes com tal condição negativa? É possível apostar na falta de preparo do ser humano em lidar com outras pessoas e até mesmo consigo. Se entender o outro é tão difícil, entender a si mesmo é ainda mais.
 Dizem que para mudar o mundo é preciso começar pelo nosso interior. Pura verdade. Também dizem que todas as respostas estão contidas nas melhores perguntas. Então, devemos cada vez mais buscar entender nossas dificuldades e procurar aproximar o nosso ser da possibilidade do entendimento. Como? Abrindo a nossa mente para aquilo que ainda não entendemos; ouvindo mais e falando menos; interagindo com os nossos pares de maneira verdadeira e despreocupada. Talvez essa seja a porta para ultrapassar a barreira do entendimento com os indivíduos e diminuir a dificuldade que temos em lidar menos com o elogio e mais com a crítica. O certo é que devemos cada vez mais exercer o controle sobre o nosso “eu” para brindar os nossos pares com os benefícios da resiliência comportamental.

sábado, 4 de dezembro de 2010

As mil faces da comunicação


   Já se deparou com aquela situação em que tudo parece bem encaminhado, mas na hora “H” o resultado é pífio? Pois não é um privilégio dos simples mortais. Existem muitos casos de empresas que investiram grandes somas no lançamento de produtos, na abordagem de um novo mercado, mas que “inexplicavelmente” não conseguiram atingir o resultado esperado. É o caso da AOL quando tentou se instalar no mercado brasileiro. Empresa líder nos Estados Unidos, muitos recursos financeiros, abordagem diferenciada para a época com farta distribuição de CDs de instalação, joint venture com o Itaú, enfim, tudo o que poderia ser necessário para dar certo. Não deu!
Hoje, anos depois, e muitas análises, há apontamentos de que a falha estava em não entender a cultura local, em tentar empregar o mesmo tipo de estratégia que já tinha dado certo no mercado americano. É nesses momentos que identificamos quanto é complexa a tal comunicação. Não apenas recursos financeiros, nem tampouco tecnologia, ou mesmo boa estratégia se mostra o suficiente. É preciso entender o consumidor de uma maneira totalitária, por dentro e por fora.
A comunicação é isso aí! Uma ciência que compartilha de outras tantas para elucidar os caminhos até a mente do ser humano. Senão, vejamos como é necessário o conhecimento de psicologia, antropologia, sociologia, filosofia, entre outras, para detalhar cada ação proposta e alcançar um porto seguro na mente e no coração das pessoas.
Quando planejamos uma campanha, o lançamento de um produto, a criação de um novo serviço ou qualquer outro motivo relacionado à conquista da predileção humana, é preciso tomar os cuidados necessários para não errar na concepção da estratégia mais adequada a cada caso. É imprudente achar que uma determinada situação empregada com sucesso outrora, deverá repetir o tento, o que até poderá acontecer, mas não é uma realidade factual; devendo ser tratada exclusivamente como uma informação para um plano maior.
Diante disso, é preciso entender o ser humano em seus mais variados detalhes: modo de vida, nível de expectativa, relação com os meios de comunicação a serem empregados, perfil comunicacional, desejos e necessidades, cultura local, enfim todos os meandros que regem a vida das pessoas envolvidas. É desse glossário informativo que o profissional de comunicação partirá para exercer com maestria a construção do plano de comunicação e respectivas estratégias para conquistar o mercado.
Mas se tudo é tão simples assim, por que não é feito dessa forma? Primeiro, porque não é tão simples assim. O levantamento de todas as informações necessárias é complexo e requer investimentos consideráveis, que em vista dos resultados não são tão altos – a velha questão do custo x benefício. Do outro lado, temos quase sempre a aposta de que a “experiência” é o remédio para todos os males (o que já deu certo dará novamente) – não é bem por aí. Outro ponto, é que por conhecermos as ferramentas e técnicas para validar as estratégicas programadas, achamos que isso basta. Pois é nesse arcabouço de conhecimentos e certezas que muitas vezes perdemos a direção que devemos adotar e somos lançados ao mar do desconhecido. Portanto, experiência e conhecimento de ferramentas e técnicas não é tudo; é preciso mais.
Por que muitas vezes um barzinho numa determinada rua está sempre cheio, enquanto que um estabelecimento similar no mesmo quarteirão não consegue nem 30% daquela clientela? Novamente, a mesma fórmula: o entendimento completo do ser humano. E é nesse campo de estudo que os profissionais de comunicação deverão se debruçar para criar propostas ousadas e assertivas para validar programas e estratégias. Devemos estar antenados às novas técnicas e tecnologias, mas cada vez mais craques na absorção dos conhecimentos seculares que regem toda a diferença: conhecer o ser humano.


Do simples ao complexo: a vida de uma empresa

João um dia resolveu abrir um negócio; não seria mais funcionário e conduziria sua vida com sua própria cabeça. Comprou um carrinho, fe...