quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

O futuro da comunicação é agora


No último mês, participei de uma série de seminários sobre variados temas em torno da internet, redes sociais, marketing e consumidores. Realidade plausível: estamos diante de um panorama mutante.
Mais do que perceber quais serão as inovações que os atuais meios de comunicação (TV, rádio, jornais, revistas, internet) sofrerão daqui por diante, é notar que as pessoas em si estão em processo de mudança, seja pela nova dinâmica político-sócio-econômica, pela redefinição geográfica do planeta do ponto de vista da mobilidade financeira e política, ou mesmo de novos instrumentais – já não tão novos assim (a internet já tem 40 anos, a web 20 anos) que sugerem uma ruptura daquele modelo estático prevalente durante tantos anos, imposto por meio do cinema, mídia impressa, rádio e TV. As pessoas já não querem mais ficar numa posição receptora; querem estar conectadas com o mundo, participando, dando suas versões sobre os fatos, criticando, gerando conteúdo, atuando como verdadeiros atores no palco da internet.
Isto tudo tem uma simbologia maior perante o enigma: como conduzir os negócios daqui por diante? Como tratar as próximas eleições perante um mercado eleitoral em mutação? Como definir as estratégias de marketing para colocar meu clube de futebol na crista da onda? São perguntas básicas de um extenso roteiro de condutas comunicacionais, que estão na pauta do dia. A resposta está onde sempre esteve, não no produto, mas no consumidor.
Certa vez, o MacDonald’s quis aumentar as vendas dos milk-shakes e contratou uma série de pesquisadores para identificar possíveis mudanças no produto, a fim de torná-lo mais atrativo para o consumo: mais doce, mais grosso, mais gelado. Enfim, quase todos os pesquisadores fixaram seus esforços em torno das qualidades do produto, apenas um, Gerald Berstell, ignorou a bebida em si e focou nos consumidores. Sentou-se numa das lojas e ficou por horas a fio estudando o comportamento do cliente comprador de milk-shake. A primeira novidade identificada foi a de que a maior parcela de venda era realizada no período da manhã, por volta das 8 horas, o que contrariava as suposições iniciais, afinal, aquele era o horário do café e ninguém em sã consciência iria optar por uma bebida gelada tão cedo. Engano. Depois outro fato chamou a atenção, as pessoas compravam apenas o produto sem nenhum acompanhamento e saiam rapidamente para seus carros em direção ao trabalho. Foi então que Berstell deduziu que o produto tinha aquela aceitação matutina por não queimar as mãos, enquanto dirigia; não era grosso para dificultar o consumo e nem tão ralo para terminar logo. Em suma, um produto feito para o consumidor dos novos tempos.
Pois é exatamente esse tipo de atitude que muitas vezes falta aos nossos planejadores e estrategistas de comunicação e marketing. Não precisa ficar brigando contra a correnteza. É preciso apenas aprender a ler nas entrelinhas, saber o exato momento de subir às ondas e surfar. Tudo isso está na fonte: o consumidor.
Neste momento, estamos passando por uma grande mudança comportamental no que diz respeito ao consumo de produtos e serviços. A classe C está tomando conta do mercado brasileiro, já são mais de 100 milhões de pessoas (53,9% da população), 56% estão na internet, 50% são usuários de banda larga e respondem por quase 60% de participação nas redes sociais. Quem não souber fazer a leitura adequada desse novo cenário ficará fora do jogo, seja ele no posicionamento de produtos e serviços, nas próximas eleições, nas estratégias de marketing esportivo, ou de qualquer ação que careça da comunicação para seu sucesso.
Por isso devemos apostar as fichas numa maior compatibilidade tecnológica associada às cátedras de comunicação, filosofia, psicologia, sociologia, antropologia. Tudo isso para cada vez mais entender as nuances do mercado e o sentimento do consumidor. Trilhando esse caminho encontraremos os melhores resultados em todos os âmbitos.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Muitas vozes e pouca audição


Imagine a cena: um navio em meio à tempestade, em alto-mar, a tripulação ansiosa pelos próximos acontecimentos; o falatório toma conta do ambiente; ninguém consegue ouvir o que o outro diz; não há coordenação e entendimento do que está acontecendo ou do que irá acontecer.
Isso é uma parábola da vida corporativa em muitos ambientes de trabalho, clubes de futebol, instituições públicas e privadas. As pessoas desconhecem os rumos da organização; sofrem com o desconforto natural das dificuldades enfrentadas; expelem uma série de opiniões do que acham ser o certo; são bombardeadas por uma interminável cadeia de informação sem objetivos comuns. E no meio desse turbilhão de informações, emoções e contradições, a comunicação sofre ruídos de todos os tipos (boatos, fofocas, comentários infundados, o diz-que-me-disse), dificultando a integração, a união, o entendimento, o compartilhamento e o desapego particular de cada membro em prol de uma causa maior.
Organização e metodologia são fundamentais para se encontrar o caminho a percorrer. Dimensionar o espaço que será atravessado, visualizar os desafios, criar alternativas para enfrentar as dificuldades, planejar tudo nos menores detalhes é primordial para alcançar o sucesso de uma missão. Apenas levantar a vela e esperar que o vento nos conduza a um porto seguro, não é lá uma atitude muito sábia – o azar pode estar à espreita no próximo rochedo.
As pessoas não buscam a derrota como um troféu, ao contrário, elas perseguem o sucesso em todos os instantes da vida. Portanto, a questão comportamental muitas vezes interfere nos resultados de maneira fatídica. Na grande maioria, o medo, é o principal oponente para o crescimento pessoal e profissional; é o fator que mais interfere no processo de gestão de mudanças. As pessoas receiam sair da zona de conforto, mesmo quando estão prestes a fracassar. É importante, nesses momentos, que a liderança saiba enfrentar as dissonâncias comunicativas, reduzir o campo de ruídos, para que o entendimento seja claro sob todos os aspectos: onde estamos, para onde vamos, o que encontraremos, quais serão os ganhos gerais, e o mais importante, como cada um pode contribuir e fazer a diferença para que o objetivo seja alcançado – assuma sua responsabilidade.
A comunicação é a principal plataforma científica para que tudo isso ocorra. Portanto, ampliar a base de conhecimentos sobre as relações pessoais, sobre o individuo, sobre o comportamento dos grupos e da sociedade, é pressuposto básico para uma navegação tranquila pelos mares corporativos da vida.

sábado, 15 de outubro de 2011

A solução está no problema


Uma crise começa quando falha a boa gestão de comunicação. Quando não há entendimento, sobra desavença. É por isso que não adianta buscar soluções mirabolantes longe do núcleo das crises. É preciso um trabalho apurado de seleção dos fatos e acontecimentos, análise criteriosa, distanciamento racional e emocional, visão apurada e comprometimento com a solução.
Já percebeu que numa discussão os dois lados sempre têm razão? Basta se colocar no lugar do outro para entender seus motivos e porque, quase sempre, refuta o que defendemos. Como diria a sabia vovó: cada um quer puxar para o seu lado. Concordar com a parte contrária depende de três fatores: desprendimento, entendimento e convencimento.
Desprender é estar aberto ao novo. Saber o quanto ainda temos para aprender. Não ficar preso a dogmas e processos já exauridos. Isto requer uma boa dose de humildade para entender a máxima filosófica: só sei que nada sei. Ou melhor, temos um universo inteiro para desbravar. Nada é definitivo.
No que diz respeito ao entendimento, é uma questão milenar. Pessoas individualmente, grupos e povos inteiros de muitos países têm se debruçado sobre essa questão para alicerçar a paz entre todos. Ainda estamos distante do ideal coletivo, mas próximos do melhor que podemos fazer individualmente. Portanto, conhecer nossos próprios limites e dos outros é uma etapa importante para melhor entendimento entre as partes.
Já para convencer alguém é preciso estar em sintonia emocional e racional com a pessoa, senão teremos uma disfunção cognitiva de interpretação dos fatos, e os problemas sempre saltarão aos olhos ao invés de soluções.
Desespero, destempero emocional, egos inflados, falta de humildade são os piores companheiros nas crises. Se não pudermos manter o autocontrole e conduzir uma conversa na direção da solução mútua, então não estamos preparados. É preciso trocar de paradigma para entender a percepção do outro, e a partir disso, abrir janelas para o entendimento generalizado, para a participação em torno de ideias e sugestões, para a melhor convivência, para a oportunidade de gerar soluções duradouras.
Não adianta querer debater situações sob o ponto de vista único de nossos interesses. É preciso ampliar o leque de discussões para criar possibilidades múltiplas de solução do problema, afinal, o importante não é quem tem razão, mas como encontrar a melhor solução.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Quando a casa não está arrumada o mundo parece uma bagunça


De que adianta produtos de primeira linha, tecnologia de ponta, marketing notório, mercado em ascensão se a mola propulsora para que tudo isso aconteça não está azeitada?
Faço referência à comunicação interna das empresas, das instituições, dos clubes de futebol. Quando todos os integrantes de uma organização não estão imbuídos do mesmo pensamento, conhecedores das suas metas e do objetivo almejado pela organização, então tudo parece distante de se tornar realidade. Funcionários que não estão integrados são “zumbis corporativos”; pessoas que fingem trabalhar, diretorias que fingem acreditar.
A comunicação interna é tão importante para o sucesso de um projeto e de uma organização quanto qualquer outra atividade da comunicação corporativa (marketing, assessoria de imprensa, redes sociais, relações públicas, propaganda e publicidade). Não é possível existir um grupo coeso quando não há entendimento sobre os rumos que a organização está tomando, onde ela quer estar no tempo futuro, qual é a importância de cada elemento para atingir o objetivo, quais são as etapas para realizar metas. Portanto, é função da liderança agir como se estivesse numa nau, como um capitão que convoca sua tripulação para desbravar oceanos em busca de novas terras, com cada um sabendo o objetivo e suas respectivas responsabilidades, entendendo a importância de cada ação para todos, sabendo que o cumprimento de suas funções individuais será de suma importância para o sucesso de todos.
E se não fosse apenas por todos esses motivos, a importância da comunicação empresarial é entendida como uma ferramenta estratégica para inibir a rádio peão, as fofocas, os boatos, os conflitos de interesses, os mal-entendidos. É o portal para o entendimento entre chefias e funcionários, para ampliar a simpatia dos familiares pelo mundo da empresa, para favorecer o bom boca a boca, para estimular a participação das pessoas no sucesso de cada projeto, enfim, para melhorar a performance individual e coletiva da organização.
Portanto, da próxima vez que tiver de questionar as baixas vendas de sua equipe, o desempenho de qualidade de produtos e serviços, ou a fraca performance de sua equipe de futebol, pense se não está faltando um bom programa de comunicação interna para dar sustentação a tudo isso? Afinal, sem entendimento coletivo não há sucesso que perdure e nem mal que se acabe.

sábado, 24 de setembro de 2011

Quando todos têm razão


Costumo dizer que o princípio de um conflito surge quando as partes envolvidas estão certas que têm razão. A disputa para fazer valer a verdade absoluta é o que estimula a desavença.
Já observaram que as raízes da razão sobre os conflitos entre palestinos e israelenses, homens e mulheres, jovens e adultos, chefes e empregados são erguidas sempre sobre a mesma plataforma: a disputa pelo poder; a certeza de estar com a razão?
Todas as vezes que nos colocamos diante de um desafio, ou de uma opinião contrária, o melhor exercício é a troca de paradigmas, ou seja, observar a mesma questão sob o olhar do outro; abrir a mente para perceber como o outro está vendo determinado problema; perceber o que sente enquanto está absorvido por aquele tipo de visão. Enfim, entender o ponto de vista contrário, o que poderá oferecer pistas e informações preciosas para abreviar discussões e chegar a soluções mais rapidamente diante do problema proposto.
Seria elementar dizer que uma série de variáveis levaria à equação de resolução de um problema: o momento, a cultura, o estado de espírito, os interesses envolvidos, os palpites e opiniões de terceiros, a maturidade dos atores envolvidos na discussão. Contudo, a base é realmente a troca de paradigma, entender o outro, pensando como o outro. É um preceito básico para o aprimoramento da comunicação interpessoal (com os pares), e também para a melhoria da comunicação intrapessoal (consigo mesmo). Afinal, quanto mais entendemos os outros, melhor vivemos com o nosso eu.
Nossas representações refletem diretamente em nossas atitudes, as quais simbolizam como será conduzida uma negociação, uma relação, uma situação peculiar que carece de entendimento entre as partes.
Todos os dias, dentro das empresas, ocorre uma série de conflitos de interesses. Isto porque cada um procura defender seus pontos de vista, sem, muitas vezes, levar em conta a visão alheia, independente de certa ou errada. A questão mais importante é sabermos interpretar até que ponto a visão do outro pode contribuir para enriquecer aquilo que julgamos como definitivo. Afinal, o definitivo não existe, é simplesmente momentâneo.
Quem era um exímio professor de datilografia hoje poderá ser uma bela peça de museu se não tiver acompanhado o desenvolvimento dos computadores e seus softwares, suas aplicações, e acima de tudo, como as pessoas passaram a se relacionar com esse mundo de novidades. Então, como dizer que um adulto não tem nada a aprender com os mais jovens? A verdadeira maturidade está na ótica emocional e não na carteira de identidade.
Uma empresa que não entende o seu principal público, os funcionários, é um barco à deriva. Pois quem coloca as empresas na crista da onda não são as máquinas e nem os ultramodernos softwares, mas quem utiliza tais ferramentas para inovar, para colocar a organização a um passo adiante. E ninguém alcança o “nirvana empresarial” numa atmosfera de dúvidas, incertezas e disputas rancorosas sobre quem é o dono da razão. Portanto, não invista tempo e esforço em discussões destrutivas e improdutivas. Lembre-se que a razão sempre está ao lado da solução. E a solução não ocorre de maneira indistinta, é preciso aceitação dos pares.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

A comunicação de 11 de setembro


Fotos: Wikipédia
Definitivamente, a Al-Qaeda atirou no que viu e acertou no que não viu. Há dez anos, os chamados radicais fizeram de uma ação estrategicamente bem planejada para derrubar os principais símbolos de poder dos Estados Unidos, uma fortaleza comunicacional sem data para terminar. Ou seja, pior do que a derrubada das torres gêmeas foi instaurar a comunicação do terror em larga escala; os Estados Unidos jamais serão os mesmos.
A comunicação é tão poderosa e tão profunda que não deixa apenas marcas e vestígios, mas uma história permanente que não pode se apagar. Mais do que apenas destruir símbolos de poder, ou dizimar populações, os ataques terroristas deixaram a população americana em sobressalto e temor permanente. O clima de tensão nos aeroportos, escolas, ruas, metrô e de qualquer lugar onde haja aglomeração é motivo de pensamentos e expressões de preocupação e medo constante.
Como amenizar o clima? Como instaurar uma nova política de comunicação que tranquilize moradores locais? Não há dúvidas de que a eleição de Barack Obama trouxe uma dose cavalar de esperança e fortalecimento da autoestima americana, no entanto, passado a lua de mel com eleitores e políticos de oposição, volta à tona a preocupação permanente com as vias de segurança interna do país, e o desconforto generalizado da população.
Se fosse somente esse o problema da agenda de prioridades de Obama, poderia o democrata ter todos seus esforços direcionados para a solução. Contudo, economia, emprego, saúde e toda sorte de obrigações inerentes ao cargo faz com que o presidente americano veja reduzida sua carga de esforço para dirimir ao máximo possível a cultura do terror instituída nos Estados Unidos após 11 de setembro de 2001.
É por isso mesmo que a estratégia de ação passa pela resolução dos principais problemas apontados pela própria população, para devolver a autoestima e a tranquilidade às ruas e ao sono do americano. Secundariamente, a resolução das pendências de conflitos armados no Oriente Médio é também estrategicamente pontual para reestabelecer a cadeia de comando político e dar maior tranquilidade para a gestão da paz mundial, o que só favorece ao âmbito emocional interno do país.  A chamada terceira via de comunicação seria a própria prática diária do comandante supremo do país no restabelecimento da autoconfiança e do clima institucional para amenizar o déficit emocional causado pelo 11 de setembro.
Talvez as gerações presentes não possam saborear os resultados que poderão ser alcançados, mas é fato que somente ações pró-ativas poderão dirimir as mazelas causadas por uma data nefasta já marcada em nossos calendários. Contudo, atravessamos duas guerras mundiais e aprendemos que a melhor força de comunicação é a reconstrução; é o que devolve a fé, esperança, autoestima e a certeza de que tudo pode melhorar.

Do simples ao complexo: a vida de uma empresa

João um dia resolveu abrir um negócio; não seria mais funcionário e conduziria sua vida com sua própria cabeça. Comprou um carrinho, fe...