segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Executivos e consumidores não acreditam em sustentabilidade

Como diria o megainvestidor, Warren Buffett, “só quando a maré baixa, a gente descobre quem estava nadando nu”. Em pleno século XXI a nata do pensamento humano ainda é primária, retroativa. Quando pensamos que o tema da Sustentabilidade já é peça consagrada e internalizada pela sociedade, chegam os resultados da Pesquisa 2010 Gibbs & Soell Sense & Sustainability Study, apontando que apenas 16% dos consumidores levam à sério as promessas de sustentabilidade das empresas. Para deixar pior o que já era ruim, somente 29% dos executivos norte-americanos acreditam na tal sustentabilidade.

O cenário remete à metáfora do filhote de pássaro no seu primeiro impulso de voo. Primeiro, ele finge que vai, mas recua; sente medo de se lançar no espaço vazio, de peito aberto, mesmo sabendo que alcançar os ares é tão notório quanto sua própria existência. O medo apenas adia o voo inevitável, sem o qual, não há sobrevida.
Sustentabilidade já não é questão de querer ou não querer; é uma necessidade preemente para a continuidade dos negócios, à manutenção do sistema ecológico e social, à preparação de uma nova sociedade, à descoberta de novos modelos de negócios, produtos e serviços, à sobrevivência do planeta.

Estar distante da realidade que nos separa da possibilidade de protagonizarmos mudanças urgentes na tônica de nossos negócios, é um calvário com final certo e preocupante. Se os grandes níveis de emissão de carbono na atmosfera não é suficiente para sensibilizar e chamar a atenção, se o derretimento de grandes calotas polares não é sinal de que alguma coisa está errada, se a constante mudança climática e suas devastadoras consequências junto às populações não serve de alerta; então que, pelo menos, pensem sobre o ponto de vista da inteligência empresarial, porque a devastação e os maus tratos ao sistema ecológico, mais cedo ou mais tarde, surtirão consequências nefastas para todos – não terá preço.

Cabe mais aos governos e às empresas do que à sociedade o ônus de criar uma cultura motivacional para abraçar o tema. É preciso estudar com profundidade e divulgar sabiamente os resultados para envolver a sociedade dentro de um princípio único de preservação dos meios naturais. É preciso perceber, por exemplo, que a elevação de apenas um grau climático pode trazer duras consequências para a lavoura e, por extensão, para a alimentação das nações. O Brasil sofrerá com o deslocamento do café produzido no eixo São Paulo, Paraná, Minas para o Sul, que futuramente será mais favorável ao plantio devido às altas de temperatura. Os prejuizos calculados são da ordem de US$ 375 milhões.

Estudos da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) e Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) apontam que, somado ao café, as lavouras de soja, milho, arroz, feijão e algodão amargarão prejuízos próximo de R$ 7,4 bilhões, já em 2020.

Com o aquecimento climático, o Sul, por sua vez, perderá na produção de frutas temperadas, tais como maçã, pera, ameixa e pêssego. Enfim, para a readaptação regional ao cultivo específico de cada novo produto agrícola, é necessário pelo menos dez anos, e muito investimento.

Quando um não quer, dois não fazem?

Outro apontamento da pesquisa registra que 71% dos consumidores dizem que não pagariam a mais por um produto apenas por ele ser sustentável. Já do lado dos executivos, 78% alegam que a falta de retorno é desencorajadora. Estaríamos então num impasse?

O mais certo é dizer que o nível de percepção de ambos está prejudicado pela falta de visão de futuro. Ambos têm a perder. É preciso sair da zona de conforto e adotar atitudes que são inevitáveis, e quanto mais tempo demorar mais onerosas se tornarão ao longo dos anos. Não podemos atingir o estágio em que já não será possível pagar o preço.

Será que precisamos ficar sem água potável para valorizar os mananciais? Precisamos ficar paralisados no trânsito para investir em transporte público adequado? E por que não reduzir radicalmente as queimadas e desmatamento para preservar a biodiversidade, garantir a nossa própria sobrevivência? São questões e mais questões para serem elaboradas e respondidas com ações presentes; temos a obrigação de atuar no hoje para garantir que exista o amanhã.

Mas o buraco é mais embaixo. Não basta apenas atuar como bombeiro para apagar o incêndio, é preciso medidas preditivas e preventivas para garantir a supremacia ecológica, social e empresarial nos novos tempos. É preciso ter uma visão holística para atuar de maneira contundente em diversas frentes, integrando ações para obter maior unidade de objetivos comuns. É preciso ter em mente que não há fato isolado no planeta; todas as ações geram reações em cadeia. Uma região desmatada é fator influenciador na camada de ozônio, que repercute na mudança climática, que gera danos ao plantio e à vida em comum, que mexe com a estrutura de sobrevivência da sociedade, que pune as empresas e a todos aqueles que não foram atuantes e precavidos em relação ao momento presente. Enfim, reação em cadeia.

Sustentabilidade não é só isso

Voltando à visão holística, vamos entender que o fator Sustentabilidade não é apenas trabalhar em harmonia com o meio ambiente, com práticas ecologicamente corretas. Precisamos ampliar nossa visão de futuro dentro do contexto de uma sociedade avançada. É preciso prognosticar os acontecimentos futuros em função da realidade atual, das circunstâncias e, principalmente, daquilo que fazemos ou deixamos de fazer.

Sabemos que uma série de variáveis sociais agem como elementos de conflitos para nossas instituições, empresas e cidadãos. Não estamos aquém, por exemplo, das disfunções causadas pela desqualificação dos padrões de Educação. Ao contrário, estamos cada vez mais suscetíveis às causas e efeitos gerados pela estagnação e falta de novos modelos educacionais para uma sociedade em evolução. Costumo dizer que temos no Brasil um modelo educacional do século XIX, com professores preparados para o século XX, e alunos com necessidades do século XXI. Não pode mesmo dar certo.

Agora, qual é o resultado dessa dissonância educacional? Uma sociedade desajustada, com propostas apenas paliativas, sobrevivente ao balanço do mar.

Ansiamos por soluções no quesito segurança, porém, os investimentos, quando realizados, privilegiam a manutenção de armamentos, aumento de contigente de policiais despreparados, câmeras de segurança para inflingir a privacidade alheia, construção de presídios – faculdades do crime. Não existe uma política pública ou contribuição privada para uma ação contundente na construção de uma nova linha pedagógica de ensino, no investimento em escolas que estimulem, além do ensino, à prática de esportes e a cultura – verdadeiros fatores estratégicos para a redução dos níveis de violência. Seremos o berço do esporte na década com o advento da Copa do Mundo e das Olimpíadas. Seria a grande oportunidade para um programa revolucionário de formação de atletas e cidadãos; tirar crianças e adolescentes das ruas, da marginalidade, assim não precisaríamos investir tanto em policiamento e na construção de novos presídios no futuro. Isto é planejamento, é atitude.

Não podemos mais viver sob o princípio de agir apenas quando a água já está batendo na cintura. Temos que adotar medidas preventivas para evitar os males previsíveis. Agir na causa e não nos efeitos. E esta obrigação não cabe apenas ao governo – apesar que podemos fazer muita diferença no momento de votar, principalmente, nos afastando daqueles que prometem presídios ao invés de escolas; mais policiais ao invés de justa remuneração e treinamento para professores; colégios dignos ao invés de prédios faraônicos para a esfera pública. A sustentabilidade das empresas, da sociedade e do planeta cabe a todos. O ônus é muito alto e será pago por todos, quer queiram, quer não. Não podemos mais privatizar os lucros e socializar os prejuízos. Enfim, devemos ampliar as garantias para todos, pois, nunca estívemos tantos no mesmo barco quanto agora. Não podemos deixar o planeta afundar.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Uma sociedade tecnocrata ou humana?

Pensar a individualidade é resultar na perfeição do todo. Não adianta tentar solucionar os problemas de comunicação de uma empresa investindo unicamente em ferramentas de ponta; o problema até poderá ser resolvido, porém, apenas temporariamente.

Criar soluções paliativas deve ser um método cada vez mais afastado do planejamento do bom comunicador. A força de comunicação de um grupo, seja privado ou social, tem como base de sustentação a estrutura individual de seus participantes. É preciso investir no desenvolvimento comportamental daqueles que participam e são importantes para o processo de consolidação de uma instituição.

Nestes 25 anos pós-ditadura, as instituições brasileiras passaram por várias fases no aspecto da comunicação. Primeiro, enfrentamos uma condição desafiadora: abrir as organizações para vivenciar um regime democrático; criar linhas de relacionamento com o mercado e os públicos que influenciariam o destino das empresas; fazer com que os funcionários – até ali, meros figurantes – pudessem ter voz, e serem ouvidos; aguentar a força sindical e os apontamentos – quase sempre legítimos. Foi, sem dúvida, um momento conturbado, pois exigia mudança, e mudança é sempre um auê.

A década de 90 ainda registrou vários imbróglios institucionais. A democracia não era algo que poderia ser digerida por todos com a mesma facilidade, principalmente, por quem detinha o poder absoluto e teve que dividir, nem que por simbolismo, as rédeas de condução de negócios e políticas. Ainda deparei com situações atípicas ao contexto atual, quando fazíamos pesquisas internas para constatar o que já sabíamos sobre o pensamento interno dos grupos funcionais de cada empresa. O objetivo quase sempre era uma ordem da presidência que desejava entender por que os funcionários não acreditavam na empresa, porém, aceitavam as diretrizes dos sindicatos? O resultado, quase sempre, era: funcionários não acreditavam na empresa, nem tampouco nos sindicatos; porém, aceitavam as linhas mestras sindicais porque a comunicação falava mais alto e mais próxima aos grupos.

A virada do século trouxe novos anseios e desafios. Hoje, estamos há 15 anos do advento da Internet, uma janela para o mundo, uma linha de intersecção entre os povos, uma nova fórmula de comunicação. E mesmo após 15 anos, ainda continua a discussão na maioria das organizações, se devemos ou não abrir as fronteiras empresariais para a tal comunicação digital, para as redes sociais e tudo o que ainda está por vir. Parece muito com aquela velha discussão de princípio de abertura travada com a chegada da democracia. Vale apenas lembrar: é uma via sem volta, irreversível. Portanto, para quem ainda resiste em ter seus funcionários ligados às redes sociais e coisas afins, é melhor parar de lutar e aprender como administrar o novo contexto.

Outro fato que deve ser analisado detalhadamente pelos profissionais de comunicação diz respeito às metodologias empregadas em cada empresa na busca da integração de esforços, aproveitamento e criação de capital intelectual, construção de marcas, consolidação dos negócios, sustentabilidade e pluraridade de pensamentos. Neste novo cenário, é preciso muitas vezes abdicar daquilo que parece ser uma conquista presente para fortalecer os caminhos do futuro.

Como proibir a livre divulgação de pensamentos e opiniões em pleno século XXI? Como cercear o livre arbítrio comunicacional apenas pela condição contratual de trabalho? Não é certo, não é correto, não é inteligente. Precisamos, sim, evoluir mais na linha do pensamento – filosoficamente falando – do que na simples e pura questão tecnológica. Por mais máquinas, programas e conhecimentos técnicos que possamos somar, nada terá mais eficácia e sucesso do que pessoas bem preparadas, motivadas e prontas para enfrentarem os desafios do mundo corporativo, de uma nova sociedade cada vez mais humana.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Uma campanha pra lá de burocrática


Abro meu navegador, saio às ruas, ligo a Tv, ouço rádio, leio jornais e revistas: é tudo tão igual. Campanha política... continua a mesma.
As campanhas políticas são contadas e mostradas de maneira tão destemperadas quanto nos anos anteriores. É difícil dizer se há despreparo dos políticos em aceitar inovações; se há despreparo dos profissionais de comunicação em sugerir o novo; ou se “burocracia mental” é uma doença presente no cerne de nossa política.
Imaginei que o vies de criatividade da campanha de Barack Obama traria novos ares para o palco da política nacional – pelo menos em termo de marketing; nada aconteceu. O fator Internet era uma promessa, continua sendo.
Existe um padrão de usabilidade das ferramentas de comunicação que não é transposto, nem tampouco  cria novas formas de interatividade com os diferentes públicos. É claro que para os que estão na dianteira, mudar pode ser prejudicial, no entanto, para quem corre o risco de perder, poderia ser a oportunidade de virar o jogo.
O nível de discussão do primeiro debate político trouxe uma mescla do antigo comodismo com a disciplina comunicacional daqueles que não podem oferecer nada mais além de uma retida figura bossal. Um twitter chamou minha atenção: “saudades do Covas, Lula, Brisola e tantos outros que davam tempero aos debates”. Pois é, independente do circo, as técnicas de comunicação eram mais impactantes.
Saindo das telas da Tv e dos computadores, as ruas também não têm nada a oferecer: beijos em criancinhas, apertos de mãos, caminhadas pré-agendadas, cafezinhos, bolinhos de carne, pasteis... A pergunta fica: será que são apenas estes instrumentos e as velhas técnicas de fazer política que podem aproximar um candidato do público, de iniciar um processo de conquista, levá-lo à vitória?
Quando o marketing político fecha as trincheiras da criatividade e começa a dar expediente nas cátedras das pesquisas está na hora de repensar o processo de comunicação política. É preciso não apenas de ousadia, mas de planejamento científico da comunicação.
Tenho feito o monitoramento de algumas campanhas e percebo que o planejamento está calcado não na programação do planejador, mas no alcance realizado pelo opositor; se as pesquisas apontarem que fulano foi melhor no Sudeste, então, para tudo e vamos de mala e cuia percorrer as ruas daquela região. Isto não é planejamento, é “complexo de bombeiro” – querer apagar incêndio a qualquer custo.
Mas como estamos apenas no ínicio das campanhas, espero que algo de novo possa acontecer; porém, sinceramente, acredito que nada vai mudar. São os desígnios da comunicação burocrática. É preciso desburocratizar.


terça-feira, 3 de agosto de 2010

A cruz e a espada

Deparei com o twitter de uma jovem pedindo para que as pessoas participem da campanha de doação de medula óssea. Até aí, tudo bem, é mais uma alma bondosa fazendo parte de sua parte para melhorar a vida aqui na Terra. Mas seria só, se não houvesse “alma” no sentido do apelo. Ela se envolveu através da escola, a qual foi envolvida por apelos das pessoas necessitadas. E eu, bem, fui tocado pelo apelo da jovem Bárbara Azevedo.

O resumo da ópera é dizer que precisamos mais do que apenas um bom programa de comunicação, boas ferramentas e didática profissional para fazer as coisas acontecerem, é preciso “alma”.

Quantas vezes na vida, nas empresas, na sociedade não batemos de frente com projetos que não decolam, ou ficam congelados ao primeiro desafio.
Desde os tempos remotos há registros contando como é importante a cumplicidade daquilo que vai no espírito com aquilo que fazemos.

Os grandes exércitos marchavam carregando seus poderosos armamentos, tidos como facilitadores para as vitórias. Por sua vez, a verdadeira força emanava dos valores, símbolos e motivações projetados por suas lideranças.

A cruz e a espada são figuras simbólicas do espírito humano e de sua inteligência racional. Uma abre a janela da alma para o desconhecido, oferecendo algo acima da inteligência, a sabedoria com dom de espiritualidade; a outra, registra o nosso potencial intelectual na construção de mecanismos rumo ao progresso – mesmo quando, muitas vezes, sabemos não ser o caminho mais certo a percorrer.

A comunicação é uma ciência poderosa e complexa na amplitude de quem a deseja conhecer. Com toda a variedade, formas e meios para nos propagarmos, é crucial abrir a mente e perceber de maneira holística até que ponto podemos influenciar, digo, chegar.

Nas empresas aprendemos que a sustentabilidade é um valor que veio para ficar, cabe a nós ampliar esse leque de atuação para fazer com que as organizações sejam mais efetivas na condução de uma sociedade justa; é bom para ela, para todos.
À propósito, deixo aqui o apelo formal da jovem Bárbara Azevedo (@biiazevedo), e os links para outras informações sobre Doação e Transplante de Medula Óssea – entre a cruz e a espada, vamos fazer uso dos dois.

Quatro passos para salva uma vida:
1. Vá até a rua Tito, 1175 – Lapa, São Paulo (SP), no dia 21 de agosto, das 9h às 16h.
2. Complete uma ficha com informações básicas (nome, telefone, endereço...).
3. Doe 10ml de seu sangue.
4. Aguarde o telefone tocar, dizendo que você vai salvar uma vida!
Outras informações sobre o tema: www.tmobr.com.br

Por que devemos melhorar o marketing de serviços?

Todos nascem com algum tipo de habilidade que nos faz diferentes uns dos outros. Mesmo quando parecemos todos iguais, ainda assim somos d...